Nas dependências de um restaurante e hotel, encontramos uma ninhada novinha com a mãe e o filho mais velho, com seus 12 meses de idade. Esta ninhada já é resultante de orientação nossa, para acasalamentos entre os melhores da região.
Em grande parte das vezes, os cães ficam amarrados, contidos por correntes, devido à sua braveza. Certa vez, que eu viajava pelo interior com uma comitiva do Cafib, por volta de 1980, o juiz Américo Cardoso, admirado com este hábito de manter cães amarrados, intrigado do porque as pessoas faziam isto, escreveu um artigo, indagando sobre o motivo. Ao que parece, manter cães amarrados, é hábito muito antigo, desde a Europa medieval. Procuramos conversar com as pessoas, indagar dos motivos de os manter assim, e algumas vezes conseguimos convencer a construírem um canil - caso desde hotel e restaurante, que o dono nos prometeu que assim vai proceder. Nas fazendas, é mais difícil convencer as pessoas contra este hábito. Os cães são bravos e o espaço é todo aberto, nem sempre tem pessoas para controlar os cães, e com frequência se troca de funcionários.
Os filhotes ficam por ali, comendo restos de comida, carne quando tem, ou leite na fazenda. Aos 30 dias de idade, não tomaram nenhum vermífugo e nem vão tomar vacinas. As pessoas começam a buscá-los nesta idade, e os donos vão entregando, seja vendendo ou doando a amigos, às vezes trocando por alguma mercadoria, bezerros, galinhas, etc.
Os que chegam à idade adulta são os mais rústicos, que sobrevivem a viroses, verminose, ecasses de alimentos, etc. Se reproduzindo, vão criando linhagens rústicas, super resistentes. Acasalando-se com frequência em consanguinidade, vão se tornando homozigotos para suas características raciais e individuais. Tornam-se em materiais genéticos preciosos. Antigos, estão ali há décadas desde que as pessoas se lembram, e as vezes as narrativas nos leva ao século IXX, pela memória de pessoas idosas que contam de seus pais e avós que tinham destes cachorros.
Então fomos até eles e os trouxemos, na base de trocas com filhotes do Núcleo de Preservação do OFB. Deixando filhotes na região, e levando filhotes para nossos canis, realizamos o que se chama de interação genética, entre linhagens. Daqui eles vão para outras cidades de MG, para a Bahia, Mato Grosso, Brasília, Pernambuco e Pará.
Considerando que cães nativos - aborígenes - são em geral consanguíneos, realizando a interação genética, alcança-se a condição denominada de heterose, ou seja o vigor genético.
Observamos que estes cães nativos, não trazem consigo taras genéticas, que costumam acontecer com os cães de criação de canil há décadas. A interferência da mão humana é bem menor no caso dos originais. A proteção com medicamentos, por ser quase nula, faz dos aborígenes muito mais fortes, pois assim como acontece com os vira latas, os fracos morrem e não reproduzem. O percentual de cães super resistentes é muito mais elevado, após gerações desta forma de criar.
Fazendo interagir linhagens, levamos rusticidade, padrão racial e heterose às nossas criações.