quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Estudos 02 - A respeito do temperamento do OFB.

Certamente o tema mais polêmico de todo padrão da raça Fila Brasileiro, e não seria diferente com o OFB, é no tocante ao temperamento. 

Desde o primeiro texto elaborado sob comando de Paulo Santos Cruz, em 1952, até os últimos textos de padrão, a exemplo do padrão CBKC 2016, tenta-se definir com algumas palavras, uma representação para esta manifestação de comportamento do nosso cão.

A partir do primeiro texto, em grande parte, criou-se um mito de que o FB seria uma raça, inteiramente à parte de todas as outras, não lhe cabendo quaisquer teoria, estudo ou conhecimento científico. 

Durante anos, décadas, este conceito de raça única – como se fosse uma espécie diferente – não permitiu que se estudasse esta raça com mais profundidade, em quesitos como sistema nervo, e instintos de guarda, ou que se lhe atribuísse conhecimentos validados cientificamente, sobre todas as outras raças de guarda do mundo. 

Estabeleceu-se, para avaliação de temperamento – e por conseguinte como condução nos processos de reprodução – algumas “provas”, nas exposições, que se denominou prova de temperamento. 

Somente em épocas recentes, tem se questionado, ou aceitado questionar, estas chamadas provas, com fortes argumentos técnicos de que elas na verdade, pouco provam. 

O resultado dos equívocos do passado, a que fomos todos submetidos por mestres de pouco conhecimento no assunto, tem sido um grande fracasso no comportamento de cães, em seleção de muitas gerações. O processo seletivo, buscando selecionar e tornar os cães “puros” para o fator temperamento, pode ter levado a tornar muito deles “puros” para um temperamento negativo: muita defesa e pouca coragem. 

Não cabe aqui, buscar culpados ou identificar quem cometeu erros no passado. Sabemos que só se iniciaram estudos de forma mais sistemática, sobre sistema nervoso, instintos de guarda e manifestações de comportamento dos cães de guarda, por volta de 1951, na Alemanha. 

Os equívocos aconteceram por falta de conhecimento, e de materiais científicos disponíveis no Brasil, até à década de 1970. 

No entanto, estamos nos propondo a abrir aqui um amplo debate sobre o tema, onde podemos divulgar vídeos e comentá-los com base técnica e científica, buscando elevar o nível do debate, para ganho de todos. 

Sabemos que algumas pessoas ou agremiações, fogem ao debate, fugindo à verdade, da realidade em suas “casas”. Mas é nossa proposta, enveredar pelo assunto e buscar a verdade, para podermos conduzir nosso plantel. 

Se acaso, na busca desta verdade, algumas pessoas ou agremiações se sentirem ofendidas, queremos deixar claro que não é nossa intenção. 

Não sabemos tudo sobre o assunto, mas temos consultores especializados no tema em questão e buscamos mais especialistas para nos ajudar a conduzir o assunto. 

O texto do nosso padrão, a respeito do tema “Temperamento”, praticamente pouco inova, com relação a outros, pelo fato de que ainda não temos estudos suficientes para conduzir uma mudança drástica no texto. Mas estamos dispostos a fazê-lo no futuro, mediante comprovações de que se deva fazê-lo. 

E já estamos nos abrindo para este futuro. 

Segue nosso texto e comentários, para início de conversa. 

TEMPERAMENTO. 
De notável valentia e coragem, caracteriza-se pela ojeriza a estranhos, no entanto de tradicional fidelidade ao dono e familiares, para o quais é extremamente afetuoso, meigo e obediente. Em consequência, é inexcedível guarda de propriedades, sendo também utilizado, com sucesso, na lide do gado, onde demonstra plenamente sua coragem e bravura.

Seu temperamento pode ser classificado como Enérgico: “De reações prontas, na medida exata do estímulo, voltadas para o trabalho a que se destina”.

Quando criado livremente nas fazendas, demonstra forte domínio territorial sobre a área da “sede” da propriedade, sem, entretanto, se mostrar desnecessariamente agressivo, sabendo guardar maior agressividade em defesa do território quanto mais invasiva for a ação de estranhos à propriedade. 

Quando criado em propriedades urbanas e em canis, com a função de guarda, e em convívio restrito com a família, desenvolve o instinto de guarda de forma excepcional. Exercerá a guarda com redobrado vigor, jamais tolerando a presença de estranhos em seu território, mesmo que diante dos proprietários. 

Como resultado do seu temperamento, nas exposições muitas vezes o Fila ataca o juiz, e via de regra, não permite que este o toque. Tal atitude apenas confirma suas características de temperamento, não devendo ser considerada como falta. 

Nas provas de temperamento realizadas obrigatoriamente nas exposições, o Fila deverá defender o condutor, de forma espontânea e sem revelar dependência, jamais recuando diante de agressão simulada. Quando não estimulado, permanecerá tranquilo e autoconfiante sob a condução do proprietário, revelando sistema nervoso de elevado limiar. 

Os cães de fazenda poderão ser avaliados in loco, para efeito de autorização para acasalamento e reprodução.



No padrão do Original FB, lembramo-nos de contemplar os cães de fazenda.



Confiram, logo abaixo, os comentários acerca do tema do criador, adestrador e praticante de schutzhund Marcelo Castro, Canil Puri Moreno, Ubá/MG: